Brexit ou?

Junho de 2016, o referendo (na realidade eu entendi que era uma consulta ao povo), nas semanas anteriores fui ouvindo ambos os lados e defendendo aos poucos a continuidade na EU, nao por querer mais para por uma questao de logica. Ouvi horas e percebi que cada lado apenas mostrava uma ponta do véu e que nada se passava.

Na noite fui dormir mais ou menos descansado, os indicadores diziam, a contagem mostrava que a consulta estava a decorrer positivamente e o sim na frente abria caminho. Despertei com a realidade o não tinha sido mais hábil na arte de enganar. A Europa já desperta afirma que a partir de hoje somos 27 e vamos retirar UK do mastro! O pai da criança demite-se os executores demitem-se e surge a dúvida a incerteza. Nos dias seguintes percebi que nada ficaria como antes, que UK estava ferida e que a moeda seriam os “emigrantes”, os British residentes fora do Reino mostravam preocupação.

Sendo alguém que viaja escutei na primeira saída fora de fronteiras, propriamente no norte de Italia “os Ingleses com a sua mania não fazem falta”, na Hungria, França, Alemanha, Holanda, Espanha, Portugal o que escutei foi o mesmo, Inglaterra nunca fez parte plenamente então que saiam de vez.

Fora da Europa os países procuram estabelecer acordos favoráveis e procuram abrir-se, UK procura isolar-se. Dificuldades pequenas no comércio começaram a sentir-se e os crimes de racismo, ódio e semitismo são notados, eu noto.

Uma constante desinformação, uma grande vontade em dividir o país são o pão de cada dia. Os casos de famílias em dificuldades e o aumento do custo de serviços tem sido constante.  Energias, aumento, telecomunicacoes aumento. Empresas a reduzirem número de horas aos funcionários, número de precários com 0 (zero) H de contrato crescem.

Empresas a deslocarem as suas sedes para fora do Reino desunido, são dezenas as que identifico, toda uma teia de alterações que estão a deixar sem cabelo os que direta ou indiretamente precisam lidar com o tema.

Estou a escrever esta mensagem a milhares de quilômetros, nao perdi um minuto, estive a ler toda a informação e sabem a que conclusão cheguei “os Ingleses que se lixem” deixarei de me preocupar com os problemas deles e passarei a ocupar-me com os do meu país PORTUGAL, nao pretendo comprar um passaporte Inglês, Escocês ou outro.

Seguirei o meu caminho, com England, com Scotland, com Wales, com Irland ou sem eles. O meu rectangulo continuo esperando. Pode ser um ate já ou ate breve. Um orgulho que está a sair caro e continuará, será preciso mais do que uma geração para se perceber o real efeito do EXIT, mas a Europa unida a 27 que se cuide porque precisa de muita habilidade, de muita vontade e de algumas reformas.

Sofre o povo, sofrem todos, os que estão na Bretanha e os que estão fora, uma guerra perdida sem uso de armas.

25 de Novembro de 2018,

Artur Domingos