O Portugal: a esquerda no governo

Artigo de Tom O’Leary

A polémica recente sobre a politica económica no Portugal é muito importante  para todos os grupos anti austeridades da esquerda. Os grupos da esquerda têm alcançado algo único no período atual, em que o governo do Portugal é o único que trabalha para terminar a austeridade. Em termos gerais, isto é o objetivo para o governo possível de Corbyn na Inglaterra, também deveria ser o objetivo para toda a esquerda da Europa. Então é necessário observarse o governo do Portugal.

O colunista famoso na Inglaterra que se chama Owen Jones começou a polémica com a afirmação verdadeira de que a experiência portuguesa demostra que a austeridade nunca era necessária. As políticas que sustentam o crescimento económico são preferíveis e também causam uma redução do déficit publico entre outras vantagens. Uma variedade de pessoas criticou Jones incluindo Jolyon Maugham, um comentador de Twitter que publicou muitos tuítes que apoiam completamente as ações da União Europeia com respeito ao Portugal.

 O tuíte é um modelo de brevidade, contêm ao menos três erros em menos de 140 caracteres. O mais importante é que foram os credores do Portugal que foram resgatados pela UE, e não o país. O governo do Portugal ainda tem as dívidas dessa época que pioraram devida ao programa da austeridade que as acompanharam. Pode-se culpar a Comissão  Europeia, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu, os políticos portugueses (alguns do Partido Socialista que agora estão na coligação da esquerda), as agências de notação de riscos de crédito, os bancos domésticos e internacionais, e claro, os credores. Como o partido politico da Inglaterra, os ‘Liberal Democrats’, Maugham não só defende a adesão à UE, mas também a austeridade que a UE perpetua.

A recuperação do Portugal não vem por causa da imposição do programa da austeridade, mas apesar das políticas da austeridade. Mas as questões mais importantes para a esquerda agora são como a recuperação económica pode ser alcançada e como pode ser mantida.

O desempenho económico

O FMI prevê um crescimento do PIB real de 2,1% no ano de 2017, o que pode ser a taxa mais forte desde que começou da crise em 2008. Mas a taxa de crescimento foi de 2,8% na primeira metade de 2017 comparada ao mesmo período em 2016, o que ultrapassa a UE ou a média da zona euro. Não há dúvida que o crescimento económico tem acelerado desde a coligação entre os socialistas e os partidos da esquerda em 2015 e isto continua.

O crescimento do PIB do Portugal, ano por ano
Fonte: Eurostat

A primeira conclusão deveria ser que o fim da austeridade não causou desastres. De fato, tem causado um crescimento acelerado e uma redução nos deficits públicos do setor publico. A segunda conclusão é que um governo da esquerda pode terminar austeridade apesar da UE .

O crescimento é limitado pela acumulação do capital, que é o crescimento nos meios de produção. Desde a coligação da esquerda, o nível do investimento (a Formação Brutal de Capital Fixo) subiu 7,7%. Durante o mesmo período, o PIB real subiu ao menos da metade dessa taxa. Por isso o investimento causou o crescimento económico.

O governo contribuiu para o aumento do investimento, mas a contribuição maior  proveio do setor privado. Os lucros previstos são o fator principal dos investimentos privados então é provável que as medidas do governo português para aumentar o consumo e o seu incremento modesto dos investimentos causaram o acréscimo dos níveis previstos do lucro. Em breve, as medidas de incentivo têm estimuladas a economia portuguesa.

É preferivel e mais efetivo que a austeridade, mas não é sustentável para o futuro. O aumento ao consumo não se sustenta por um crescimento dos salários e das rendas. O Eurostat reporta que a proporção das poupanças caseiras tem mergulhada. Esses dados podem-se  ver na tabela seguinte.

A proporção das poupanças caseiras, %:
Fonte: Eurostat

Essa redução nas poupanças caseiras e os níveis do consumo atual (causado pelo investimento do setor privado) não são sustentáveis. Os salários reais estão em queda e em certo ponto, sem o crescimento real nos salários e nas rendas, as famílias vão limitar seus gastos.

Para sustentar a recuperação económica e aumentar os salários reais, o crescimento do investimento deveria aumentar por maneira sustentável. É improvável que o setor privado vai fornecer o investimento se os gastos dos consumadores fraquejem. Então, o governo tem de procurar maneiras de aumentar o investimento do setor publico.

Sem mais conhecimento da economia portuguesa não é possível para produzir um plano para o investimento do setor publico. Não obstante, há uma variedade das fontes potenciais para fundos que incluem:

  • O numero de empresas que são públicos que podem aumentar o seu investimento (usando as reservas ou novos empréstimos)
  • Os pedidos para a comissão europeia para acelerar/aumentar seu programa dos gastos do capital
  • A nova infraestrutura e outros projetos que o Banco Europeu de Investimento custeia
  • Os novos impostos para os super-ricos e as companhias grandes para pagar os investimentos
  • A remoção dos subsídios para os negócios para criar fundos para o investimento publico
  • Quando é possível, empréstimos adicionais pelo governo

A escala do investimento que é necessário é muita grande. Em 2000 a Formação Bruta de Capital Fixo como uma proporção do PIB subiu 28%, mas agora representa quase metade dessa. Entretanto todos os passos nesta direção asseguram que a recuperação tem uma base mais sustentável.

O governo português da esquerda demostrou que existe um alternativo à austeridade, mas os incentivos não funcionam de longo prazo. Para sustentar a recuperação e mostrar que o alternativo à austeridade é o investimento, necessita-se os medias mais fortes.

Socialist Economic Bulletin

 

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