Todas as portuguesas e os portugueses que vieram viver para o Reino Unido (e outros países) tiveram um acto de coragem. Deixámos o nosso mundo familiar, os amigos e família e enfrentámos o risco do desconhecido. Podemo-nos ter preparado melhor ou pior para a viagem, ter tido mais ou menos apoio de amigos já emigrados. Mas tomámos pelo menos duas decisões muito importantes. Num certo dia, resolvemos que sim, que era chegado o momento de procurar trabalho noutro país. Enfrentámos o nosso primeiro medo, o medo de mudar, o medo de sequer tentar, o desafio de nos atreveremos. E atrevemo-nos. Falámos com conhecidos, informámo-nos na internet. Procurámos empregos, cidades, buscámos na memória o inglês enferrujado.
E depois, demos o segundo passo, tomámos a segunda decisão. Passámos do ousar pensar, para o ousar fazer. Vou mesmo! Vou mesmo mudar a minha vida! Vou enfrentar os meus medos. Vou dar-me bem por lá? Vou conseguir ter uma casa, um quarto, um sítio onde viver? O meu inglês será suficiente? Vou ter amigos por lá? Sentir-me-ei sózinha? Aguentarei as saudades?
E fomos. E aqui estamos. Felizes, ou sentido a falta de tudo. Bem sucedidos, ou ainda lutando. Alguns regressaram, é mais doce viver em Portugal – que saudades dos amigos, das amigas, do café, da praia. A maioria ficou. Somando tudo, pondo tudo nos pratos da balança, estamos melhor aqui. Aqui trabalhamos. E podemos viver sem a angústia do fim do mês. E temos novos amigos/as. Descobrimos Londres, ou o verde campo inglês. Os parques e os barbecues. Também já sabemos onde ir comer um cozido ou um bacalhau quando a saudade aperta. Demos um passo gigante nas nossas vidas.

Sintam-se orgulhosas, sintam-se orgulhosos. Em cada um nós, há uma força. Pensei em mudar a minha vida e consegui. Decidi. Tive a coragem de mudar.

Todos devíamos por isso nos nossos CVs.

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