E cá estamos. Tivemos a força, a ambição ou a raiva de vir. Ou todos estes sentimentos juntos. Quisemos melhor, não pudemos ou quisemos continuar com a vida que tínhamos. E estamos ainda zangados. Zangados com o país que não nos soube aproveitar, que não nos deu oportunidades. Que nos deu desemprego, ou baixos salários. Quando alguém nos diz: voltem, respondemos: só para passar férias. Estamos zangadas com os políticos que estragaram o país, que só pensam neles. Que prometem uma coisa e fazem outra. Sentimo-nos enganados.
E não queremos voltar atrás. Demos o passo de partir, agora temos de pensar em nós. Em ter um melhor emprego, uma melhor casa, em aproveitar as oportunidades. Não precisamos mais de quem não nos deu aquilo que nos era necessário. Não queremos mesmo voltar atrás. Temos mais em que pensar. Na nossa carreira, na nossa vida. Viagens longas, casas caras, isolamento. Ou nas festas do fim de semana. Enjoy life.

Mas nós, que tivemos a coragem de mudar, teremos uma outra coragem? Teremos a força, a coragem de mudar um país? Queremos continuar zangadas e zangadas, ou queremos que o orgulho que agora temos (ou deveríamos ter) por nós contagie Portugal?
Sabemos agora do que somos capazes. Somos capazes de mudar as nossas vidas. Fizemo-lo. Mas seremos capazes também de mudar a vida dos outros? Todos nós o fazemos, em maior ou menor grau. Quando explicamos aos outros o caminho para emigrar. Quando damos guarida a amigos ou parentes que se estão a mudar para cá. Quando participamos num peditório para ajudar uma criança doente. Nós podemos ajudar a mudar a vida de outros, como fizemos com a nossa.
Então, porque não podemos mudar Portugal? Nós somos as pessoas certas para o fazer. Nós já mudámos as nossas vidas.
Vamos dar o primeiro passo. Vamos pensar niso. Vamos falar disso. Quremos voltar a ter orgulho do nosso país. Como podemos mudar Portugal? Vamos arranjar a coragem para pensar nisso. Para começar.

Anúncios