Dia triste quando vemos o egoísmo de uma nação sobrepor-se à solidariedade entre os povos. Por muitos defeitos que a União Europeia tenha (e tem) estamos melhores juntos que separados. Ainda tenho uma leve esperança que o Reino Unido reconsidere. E outra esperança que a União Europeia faça uma reflexão e se torne mais aberta e mais solidária.


Com todo este processo de saída da União Europeia o Reino Unido está cada vez mais desunido. O acordo ou desacordo com este processo divide famílias, com gerações mais novas contra o Brexit e gerações mais velhas a favor. Divide os partidos, com ferozes conflitos intra-partidários que noutro qualquer país com um sistema eleitoral proporcional daria aso a cisões. Divide o país, com zonas como Londres esmagadoramente contra a saída e zonas mais rurais esmagadoramente a favor da saída. Divide as opiniões entre abertura ao mundo e nacionalismo.


O nacionalismo é uma criatura com duas cabeças. Todos nós nos sentimos bem em fazer parte de um grupo, e em partilhar gostos comuns aos membros desse grupo – seja ele o grupo da escola, os amigos de sempre,  um clube de futebol, ou um país. Para os portugueses isso significa a língua portuguesa, o sol, os cafés, o pastel de nata, o bacalhau.. Para os ingleses é o seu orgulho, a sua cerveja,  os seus desportos, a sua rainha..  Por outro lado o nacionalismo divide os seres  humanos em tribos que se julgam superiores às outras, estimula o ódio aos “outros”, aos estrangeiros, aos que não entedemos, e a seguir à religião tem sido o maior causador de  guerras e destruição no mundo.


Os ingleses não irão demorar muito a perceber o que os escoceses e os irlandeses do norte já perceberam: que a saída da União Europeia é um erro, que vão começar a viver pior com os preços dos produtos a aumentar, empresas e empregos a fugir para o continente e a  economia em declínio, e que os estrangeiros até faziam falta na agricultura, nas obras, nos hoteis, nos restaurantes e nos hospitais. E, quem sabe, talvez venham um dia a entender que somos todos humanos.

25 de Novembro de 2018,

Paulo Costa